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Paranaguá tem a prerrogativa de ser o primeiro município fundado no Paraná, fato que se deu através de Carta Régia, de 29 de julho de 1648. Antes que se organizasse o núcleo, que deu origem à sociedade parnanguara, há milênios, neste mesmo litoral, habitou o Homem do Sambaqui, tratando-se de uma raça extinta, sem que pouco ou quase nada se saiba sobre ele.

Mais tarde foi a vez do povo Carijó, do grupo Tupi-Guarani, que a exemplo da anterior, é raça também extinta, desta feita pelas mãos do desbravador português, que os capturou para trabalho escravo. Com o tempo, os que sobraram miscigenaram-se com brancos e negros africanos, resultando em outro elemento étnico, o caiçara.

A partir de 1549, a costa litorânea paranaense já era conhecida e habitada pelo branco europeu. Pelo menos é o que consta no relato do náufrago alemão Hans Staden, registrado em livro. Foi-se efetivando uma povoação, e em 1578, segundo consta, existia uma pequena capela sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário.

Em 1614 Diogo de Unhate, tabelião em São Vicente, obteve a primeira sesmaria em terra paranaense, localizada entre os rios Ararapira e Superagui. Em 1640 Gabriel de Lara, que passou para a história como o "capitão-povoador", chegou a Paranaguá, sendo que após seu estabelecimento, fez erguer o Pelourinho em 6 de janeiro de 1646, símbolo máximo da justiça e do poder lusitano. Neste mesmo ano Gabriel de Lara anunciou descobrimento de ouro em Paranaguá.
Porto de Paranaguá no fim do século XIX, por Alfredo Andersen.

Com esta notícia iniciou-se oficialmente o ciclo da mineração aurífera no Paraná, e até mesmo do
Brasil Colônia, e antes que se iniciasse regularmente a procura pelo ouro vil, o Governador-Geral do Rio de Janeiro nomeou um "... Administrador e Provedor para o seu desenvolvimento, pesquisa de novas jazidas e defesa fiscal dos quintos reais", em nome D'El Rey. A presença de tantas autoridades nesta região, acabou despertando a atenção e o interesse de muita agente,que afluiu em busca de riqueza fácil, iniciando diferente atividade sertanista.

Apartir do núcleo Paranaguá, outras regiões foram atingidas: Tagassaba, Serra Negra, Faisqueira e os rios do Pinto, Guarumbi, Cubatão e outros lugares. Posteriormente a cata ao ouro transpôs a serra e foi ter no planalto. Até os dias de hoje historiadores discutem qual o resultado final da cata do ouro, pelo menos com a significância desejada. No entanto foi a ilusão do ouro que ajudou a fundar o
Paraná.

Paranaguá cresceu tanto que no ano de 1660 foi transformada em Capitania, sendo Gabriel de Lara nomeado ouvidor, alcaide-mor e capitão-mor. A Capitania de Paranaguá foi extinta em 1710, e anexada à de São Paulo, sendo que por Provisão de 21 de agosto de 1724, foi nomeado o primeiro ouvidor pós Capitania, o dr. Antônio Alves Lanhas Peixoto.

A ouvidoria de Paranaguá compreendia todo o sul do Brasil, até o Rio da Prata (inclusive a República Oriental do Uruguai), estando sob sua jurisdição as vilas de Iguape, Cananeia, São Francisco, Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis), Laguna e Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba.

A 20 de novembro de 1749 iniciou-se a desagregação do imenso território parnanguara, com a criação da ouvidoria de Santa Catarina.

Em 1812 foi criada a comarca de São Pedro do Rio Grande do Sul[19], sendo que nesta mesma data a sede da ouvidoria de Paranaguá foi transferida para Curitiba. A partir de 29 de novembro de 1832, as ouvidorias foram extintas, sendo que neste período iniciava-se a tomada efetiva de povoamento dos Campos Gerais do Paraná.

A localização geográfica permitiu, ao longo de sua existência, que Paranaguá participasse de ações militares, tanto é que foi construída a Fortaleza da Ilha do Mel, sem que no entanto, fosse acionada para fins bélicos, pelo menos a contento.
Atualmente é dos pontos turísticos mais visitados do município.

Um duro golpe na população parnanguara veio por conta da Revolução Federalista, em 1894. Nesta ocasião os Federalistas (insurretos gaúchos contrários ao governo legal), que haviam tomado de assalto o estado de Santa Catarina, atacaram simultaneamente o estado do Paraná em três frentes, Tijucas do Sul, Lapa e Paranaguá, que ficou em mãos dos Federalistas por três meses e sete dias, só saindo dali no dia 24 de abril de 1894.

Registra-se que não houve violência contra a comunidade, a exemplo do que ocorreu na Lapa e Tijucas do Sul, com muitas baixas. Mas o resultado foi de certa forma bem trágico, ao retormar o poder, a militária paranaense, por vingança, executou no quilômetro sessenta e cinco, pessoas consideradas contrárias ao poder legal, dentre as quais Prisciliano Correia e Ildefonso Pereira Correia - o Barão de Serro Azul, filhos de Paranaguá. Governava o Paraná nesta época o sr. Vicente Machado.

Em 1902 foi inaugurada a iluminação elétrica, em 1908 foi instalado o serviço telefônico e em 1914 o serviço de abastecimento de água e rede de esgotos. Em 1934 foram construídas as docas do Porto Dom Pedro II, com 450 metros de cais acostáveis, posteriormente este mesmo porto foi modernizado, tornando-se um dos mais importantes do Brasil. Atualmente é a maior fonte de renda municipal, exportando produtos vindos, tanto pela moderna rodovia que liga o litoral à Curitiba, quanto pela linha férrea, cujos trilhos de aço, colocados nos contrafortes da serra ainda no século passado, deu o pontapé inicial, para transformar o Paraná provincial no estado moderno de hoje.

Fonte:
Wikipédia
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